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O que encontraremos além do e-Learning?

Por Marc J. Rosenberg
Este artigo é baseado em um novo livro de Marc Rosenberg, “Além do e-Learning: As abordagens e Tecnologias para realçar o Conhecimento Organizacional, Aprendizado e Performance”, publicado por Pfeiffer.

Justamente quando pensamos que sabemos tudo sobre e-Learning, tudo muda. Depois de anos de experimentação e a exuberância irracional que caracterizaram os anos 90, acreditamos que nossas visões sobre e-Learning estão mais sóbrias e realistas. Isso é um bom sinal. Nós podemos fazer previsões mais racionais de como o campo evoluirá. Também se apresentam alguns desafios e percebemos que o rumo que estamos tomando não é exatamente o que pensávamos que seria no início.

Para a grande maioria, as mudanças do e-Learning e os desafios que estão rapidamente abordando ajudarão a impulsionar a área em uma fase nova de evolução – se estivermos abertos e prontos para reconhecer isso. Essencialmente, testemunharemos seis princípios mutantes no campo durante os próximos anos:

1. O e-Learning se tornará mais que “e-training”. 
2. O e-Learning se deslocará para o local de trabalho. 
3. O Blended e-Learning será redefinido. 
4. O e-Learning será menos curso e mais conhecimento. 
5. O e-Learning se adaptará a diferentes níveis de domínio. 
6. A tecnologia se tornará um assunto secundário. 

e-Learning será mais que “e-training”

“Nós precisamos de um curso” é provavelmente o clichê para uma organização de treinamento. Tão preeminente quanto essa declaração, tão importante quanto a função de treinamento, é quando organizações seguirem isso cegamente, pressupõe-se que a melhor solução para um problema identificado é o treinamento. Embora e-Learning comece um novo caminho, não poderia permanecer do mesmo modo porque não era mais adequado para sustentar todas as necessidades de aprendizado dos indivíduos e organizações. O e-Learning percorre agora um novo caminho em uma direção um pouco inesperada.

Para ser mais influente, o e-Learning deve ser reinventado. Enquanto continuar a fornecer uma opção instrutiva viável em uma colocação de aprendizado formal, deve também se mover em direção a soluções informativas e colaboradoras que enfocam nos trabalhos específicos das pessoas. Deve ser mais que mercadoria, salas de aula e trabalho. Para reinventar e-Learning é, de muitas formas, reinventar o aprendizado.

Oferecendo tais ferramentas e recursos que gerenciam o conhecimento e o suporte que mantêm o e-Learning e apresentam diretamente no local de trabalho, médicos estão, de certo modo, construindo uma ponte da sala de aula até o trabalho. Há uma maneira fazer isso, é fornecendo treinamento on-line no local de trabalho. Mas isso é suficiente? Nesse ambiente, eles poderão parar seu trabalho sempre que houver uma pergunta? Provavelmente, não. Trabalhadores estão procurando, por acesso direto e confiável, informações e perícias que respondam às suas perguntas, demonstrando tarefas ou processos, fornecendo conselhos para melhorar e facilitar seu trabalho. Com tecnologia como agente capacitador, esses recursos estão disponíveis – fixos ou móveis – e fornecem uma riqueza de oportunidades para aprender rapidamente só o que é necessário, no momento exato.

O e-Learning se deslocará para o local de trabalho

Vivendo e prosperando na era da Internet, é exigido um completo repensar sobre o que realmente quer dizer aprender, onde o saber ocorre, e quais aprendizados são realmente necessários. O e-Learning é parte da jornada para essa nova realidade de negócios e de trabalho. 

Se a organização de treinamento for uma universidade corporativa grande, pequeno departamento de treinamento ou outsourced, terá de enfocar muito mais no local de trabalho do que em salas de aula e estender o e-Learning para as pessoas no trabalho. Isso significa que aquelas soluções instrutivas serão inadequadas. 

As organizações de treinamento terão de se tornarem muito mais interdisciplinares. Elas precisarão fundir muitas tecnologias e abordar situações de aprendizado formal e informal. Elas devem se envolver no trabalho e nos processos e tarefas que incluem o trabalho. Tornar-se-á importante sugerir como os processos e ferramentas do trabalho podem ser feitos mais facilmente, desde o começo. Esse é o único caminho. 

Quando médicos começarem a explorar o relacionamento entre treinamento de sala de aula formal com o de local de trabalho e suporte informal, ficará claro que, para ser bem-sucedido, cada método e ferramenta devem ser administrados e tecidos em um recurso sem costura. Quando isso acontecer, o limite entre o aprendizado virtual e o suporte presencial desaparecerá.

O Blended e-Learning será redefinido

A popular, embora seja uma definição limitada de Blended e-Learning, é a integração de grupo e auto-instrução compassada, normalmente manifestada por sala de aula e entrega on-line. Existem situações em que o aprendizado com um instrutor é mais apropriado. Existem também situações em que os trabalhos de treinamento on-line são melhores, e existe também uma combinação prudente de ambas as abordagens. A decisão de misturar é baseada até certo ponto considerando o projeto instrutivo, como também há o ponto dos negócios, inclusive custo e assuntos de produtividade (como velocidade de desenvolvimento, tempo de treinamento, etc.). 

Para muitas organizações, o Blended e-Learning parece tão lógico que elas abraçaram isso como uma doutrina fundamental, mas essa visão de Blended é extremamente limitada. Assume só uma abordagem instrutiva, enquanto outras abordagens podem ser mais apropriadas e têm mais custo efetivo. Quando a solução (on-line ou sala de aula) está pré-ordenada, outras oportunidades estão fora do radar. Às vezes, isso é um resultado de ponto de vista limitado da organização. Em outros tempos, o conceito não teve tempo suficiente para amadurecer. De qualquer modo, o conceito de Blended e-Learning está mudando e se expandindo.

Emergindo a visão de Blended e-Learning, o curso não é mais a falta ou só “recipiente” para a solução. Uma visão expandida de Blended e-Learning inclui a combinação de treinamento (formal) e não-treinamento (informal). Abordando o suporte e o empreendimento certo, a efetividade e a eficiência de performance do aprendizado são melhoradas. Definições mais limitadas, simplesmente enfocando em integração on-line e sala de aula de treinamento, podem melhorar a qualidade e a eficiência da solução instrutiva.

O e-Learning será menos curso-centric e mais conhecimento-centric

Catálogos de treinamento on-line, se sustentado por um sistema de gerenciamento de aprendizado ou não, tendem a organizar conteúdo por domínio (por exemplo, vendas e marketing, ou liderança) e, em última instância, por currículo e curso. Para a organização de treinamento, fornecer acesso fácil a courseware é soberano. O problema é que, navegando por um catálogo de curso-centric, não importa o quão bem projetado e quão completo, serve só como uma forma de conhecimento. 

O que devia ser aparente até agora é que existem muitos outros recursos de conhecimento que não são sincronizados, porque eles são desconhecidos ou inacessíveis. Um conhecimento-centric é um retrato diferente do conteúdo on-line. 

Um conhecimento-centric, em vez de um curso-centric, abraça uma definição expandida e mais inclusiva de e-Learning e adiciona mais valor sistematicamente, trazendo mais conteúdo para o local onde pode ser encontrado.

O e-Learning se adaptará a diferentes níveis de domínio

O que muitas organizações estão descobrindo é que o modo que a pessoa aprende varia de acordo com seu cargo de trabalho. Isso pode ter um choque significante nas abordagens de aprendizado e tecnologias empregadas. O papel de aprender tecnologia muda conforme os trabalhadores passam por quatro níveis de domínio: noviço, competente, experiente e master/expert. As pessoas novas no trabalho geralmente exigem mais formalidade, necessidades de aprendizado estruturado.

Como trabalhadores progridem e se tornam mais hábeis, seus requisitos de conhecimento primário começam a ficar mais informal. O gerenciamento de conhecimento mais importante, colaboração e performance sustentam os componentes de um aprendizado e a arquitetura de apresentação mais robusta em seu saber. 

Claro, trabalhadores se ajudarão com todos os tipos de informação e soluções ao longo de suas carreiras. Por exemplo, masters/experts podem tomar cursos mais avançados em seu campo, e noviços podem usar uma ferramenta ou ajuda de trabalho para progredir. Porém, reconhecendo e sustentando estratégias de ensino diferentes, baseadas em níveis de domínio, pode ser muito efetivo realçar e sustentar performance acima de um período mais longo de tempo.

A tecnologia se tornará um assunto secundário

O sucesso fabuloso da Internet, não da mesma maneira que outras comunicações ou ferramentas educacionais, mas como uma ferramenta de negócios, levou à adoção larga e rápida de operabilidade da infra-estrutura e plataforma, que facilita e realça o valor da Web. Embora tarde para o jogo, o aprendizado de tecnologias será integrado em nossas redes e aplicações para um ponto onde ele será necessário. Então, profissionais, uma vez mais, poderão enfocar para projetar soluções inovadoras, que são mais eficientes e efetivas das que temos hoje.

Enquanto o tradicional e-Learning associou tecnologias importantes, os médicos têm freqüentemente sido muito rápidos para abraçá-las, especialmente para resolver problemas atuais sem considerar quais seriam os desafios e as conseqüências futuras. Deveríamos pensar sobre o e-Learning e ver a tecnologia capacitadora não como uma estratégia. É a estrada, não o destino. Os meios no lugar dos fins.
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