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A arte de contar histórias


Quem não se lembra das histórias que ouvíamos quando crianças que enchiam nossas mentes de personagens heroicos, vilões e incríveis fantasias?

As histórias eram contadas no ambiente familiar para educar e desenvolver a moral e bons comportamentos e sempre trazia algum tipo de ensinamento, algo que nos fazia pensar e nos ajudava a decidir que caminho tomar.


Este mundo de fantasias, de alguma forma, acabava influenciando boa parte do nosso comportamento na vida real. Era como viver uma experiência com todo o seu potencial de aprendizagem sem, contudo, sofrer o estresse do que seria lidar com uma situação de verdade.

Na história de nossa civilização muitos mestres, filósofos e líderes religiosos explicaram suas ideias através de contos, alegorias, fábulas ou parábolas. Hoje em dia este processo de transferência de conhecimento e experiência praticamente não existe mais.

O nosso mundo foi, de repente, invadido por uma colossal avalanche de informações, modismos e fatos que deturparam os valores universais de convivência e reduziram a relação entre as pessoas a uma disputa de egos onde todos querem ser protagonistas no palco da vida. Provavelmente, alguém que sabe contar histórias, deveria contar mais uma vez a história da Torre de Babel para que alguns de nós, entendendo o seu sentido, desenhássemos o caminho de volta ao entendimento e convívio entre as pessoas.

Esta Torre de Babel está presente em quase tudo que permeia nossas vidas provocando uma sensação de ausência de sentido na maioria das coisas que fazemos. Não importa onde estejamos a sensação é a mesma.

Aprendemos nos ambientes de trabalho que não devemos misturar os problemas pessoais com os profissionais e vice-versa, mas esses não são espaços diferentes daqueles que habitualmente frequentamos, eles são semelhantes. Por ser um local onde se passa a maior parte do tempo, o ambiente de trabalho deveria ser um lugar onde as pessoas pudessem expressar o melhor de si. Porque isto não acontece?

Porque as mudanças que estamos vivendo ainda não foram entendidas pela sociedade e pelas organizações em um contexto mais amplo, como a diversidade cultural, a pluralidade dos indivíduos, a teoria da incerteza, a teoria da auto-organização, a física quântica, a neurociência e tantos outros temas de grande amplitude e interpretação.

Estamos precisando de novas referências, de novas histórias que nos contem como viver numa sociedade plural sem perder a individualidade, mas também sem perder o sentido de conectividade que nos liga a tudo e a todos.

Precisamos de uma safra de novos Esopo, Hans Christian Andersen, Irmãos Grimm, Charles Perrault, La Fontaine, Fedro que criaram histórias maravilhosas como a cigarra e a formiga, a tartaruga e a lebre, o patinho feio, as roupas novas do imperador, o soldado de chumbo, a raposa e as uvas e outras centenas delas.

Precisamos de líderes que colecionem histórias e saibam como contá-las de forma a transmitir valores culturais e pessoais que sustentem em seus liderados o comportamento ético, a moral e o respeito nas relações sociais.

Não apenas colecionar, mas também desenvolver narrativas baseadas na sua experiência pessoal e que tenham como moral da história: a elevação do ser humano.
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