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Boas Práticas ao abordar Pessoas com deficiência visual

Por: Sidnei Silvestre

Para começo de conversa, é importante ressaltar que uma ação será muito mais prazerosa quando for oferecida de forma espontânea e natural ao invés de algo por obrigação. Portanto,  esteja aberto a ser empático com o tema.

Outro detalhe importante que merece destaque, é que existem níveis diferentes de perda da visão. Nem todo deficiente visual é cego total, pode ser que ele está usando bengala, mas consegue ver objetos próximos, grandes ou com cores contrastantes que facilitam a identificação.

Nos casos mais severos, que são aquelas pessoas que não enxergam nada, ou têm apenas percepção de luz e vultos, a locomoção normalmente será acompanhada por uma bengala longa ou por um cão guia.

Quando a pessoa tem baixa visão, em muitos casos o apoio de tecnologias assistivas como óculos ou lupas proporcionam uma boa autonomia. Já em determinados ambientes com pouca luminosidade e com muitos obstáculos ela também se utiliza da bengala para ter mais segurança durante a locomoção.

Ajudar ou não ajudar? Eis a questão!

Nem sempre uma pessoa com deficiência visual necessita de ajuda. Observe e ofereça somente se perceber que a pessoa está com dificuldades ou correndo perigo com obstáculos não demarcados, como buracos, orelhões, itens suspensos como galhos de árvore, portões abertos que invadem o espaço da passagem, reformas, caçambas ou objetos deixados na calçada.

Apresente-se, pergunte se está precisando de ajuda, caso afirmativo, confirme qual a melhor maneira de você fazer isto, evite já chegar tocando na pessoa, pois ela pode não ter percebido a sua aproximação e se assustar.

Caso sua ajuda tenha sido recusada em algum momento ou situação, não deixe de oferecer em outras ocasiões. Lembre-se sempre que as pessoas não são iguais e que possuem necessidades e limitações diferentes.

Situações que podem indicar necessidades de ajuda

Uma pessoa com deficiência visual parado de frente para a rua, seja no meio do quarteirão ou em uma esquina em frente a uma faixa de pedestre, pode ser um indicativo de que ele necessite de ajuda para atravessar.

Caso esteja parado em um local aberto sem referências táteis no chão como em frente a uma loja, um condomínio ou em alguma outra edificação, talvez esteja precisando do apoio de alguém que o indique o nome do estabelecimento, a numeração ou até mesmo para encontrar o acesso de entrada.

Também quando observar uma pessoa com deficiência visual circulando dentro de uma loja muito grande, pode ser um indicador que está à procura de um atendente ou de encontrar a porta de saída.

Um dia de chuva é sempre um indicador de necessidade de ajuda, pois poças d’água são obstáculos bastante difíceis de ser detectados pela bengala.

Como guiar uma pessoa com deficiência visual

Após ter oferecido ajuda e a resposta tenha sido positiva, pergunte qual será a melhor forma para esta ação.

A condução deverá ser feita com a pessoa com deficiência visual segurando no cotovelo ou no ombro de quem está conduzindo, desta forma o guia estará sempre um passo à frente facilitando a detecção de obstáculos.

Em tempos de pandemia, recomenda-se sempre que seja pelo ombro, embora dependendo da diferença de altura, segurar no cotovelo será mais confortável.

Se possível, se posicione ao lado inverso que está segurando a bengala e encoste seu braço na mão da pessoa para que ela segure em você e nunca pegue na bengala ou no braço e saia puxando.

Avise aproximação de obstáculos do tipo degraus subindo, descendo ou objetos suspensos que necessitem abaixar a cabeça, como galhos de árvores, portões abertos, lixeiras etc.

Calcule bem os espaços que precisem passar, caso não caiba os dois ao mesmo tempo direcione seu braço para suas costas que a pessoa saberá que terá que ficar atrás e não o ao lado e que quem está guiando passará primeiro

Em escadas rolantes ou fixas, pergunte sempre se a pessoa prefere se apoiar no corrimão ou se sente segura para continuar sendo guiada.

Caso vá indicar um assento direcione a mão da pessoa para o encosto da cadeira e não tente manobrá-la para se sentar direto

Se possível descreva o ambiente, evitando que a pessoa tenha que tocar em objetos para descobrir o que está em volta, a não ser que ela queira conferir como é a forma de determinada coisa.

Dicas de uma boa convivência

Procure não usar termos capacitistas como pessoas especiais, pois todos somos especiais. Portador de deficiência, porque portamos apenas objetos e não características, exemplos de superação, porque todos superam obstáculos cotidianamente e não confunda doença com deficiência.

Avise sempre que colocar ou alterar a posição de algum objeto próximo de alguém com deficiência visual, isso poderá evitar acidentes.

Se estiver em uma conversa, avise quando sair ou retornar, isso evitará que a pessoa fique falando sozinha sem saber. Evite responder com gestos porque não será efetivo, pois apontar algo ou sinalizar negativa ou positivamente com a cabeça não será percebido.

Evite perguntar para uma pessoa cega se ela sabe quem está falando. Nem todo mundo tem facilidade de identificar vozes, principalmente em ambientes diferentes ou de alguém com quem ela não tenha um contato bem próximo.

Também não precisa se identificar toda vez que encontrar a pessoa se for alguém que já tenha sinalizado que te reconhece facilmente.

Procure passar coordenadas mais exatas, por exemplo: “siga por duas quadras”, “cruze duas ruas”, “ande 50 metros” e não diga, por exemplo: “siga até a placa vermelha” ou “até a casa amarela”, etc.

Fale diretamente com a pessoa, jamais pergunte para o acompanhante

Pergunte se a pessoa precisa de ajuda para cortar objetos durante uma refeição, principalmente se perceber que ela está com dificuldades em manusear os talheres ou se existir pedaços muito grandes no prato.

Muitas vezes um grande apoio é permitir que a pessoa exercite sua autonomia. Não é porque ela não enxerga que precisará de ajuda sempre, ela também poderá ajudar outras pessoas com algo que ela tenha conhecimento.

Estas são apenas algumas informações; mas lembre-se nem todas as pessoas têm a mesma limitação ou necessitam dos mesmos cuidados e ajuda. Portanto, a própria pessoa é quem poderá lhe indicar qual será o tipo de ajuda que ela está precisando naquele momento.

Praticar a cidadania e boas ações aquecem o espírito e deixam o mundo mais acessível para todos principalmente quando levamos em consideração o que é o melhor para uma boa convivência coletiva.

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