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A ditadura do “sim” e a democracia do “não”

Por Carlos Faccina

Existe uma cultural nacional que dificulta a utilização honrada do “não”. Por medo de rejeição, por desconhecimento ou na falta de bons argumentos, a adesão ao “sim” virou mania nacional. Há aí inclusive uma certa acomodação ao transportar para aquele que propõe a responsabilidade futura pelo erro. Ao discordar, consideramos um risco receber a responsabilidade pela negativa e todos os olhos se voltam para nós aguardando, então, o que seria a solução.

Lembro-me de uma reunião na qual um gerente insistia em rejeitar todas as propostas colocadas. Passado um tempo de infrutíferas tentativas, outro gerente não aguentou e esbravejou: “Se você não gosta de nenhuma alternativa, então dê a sua”. “Não é porque não gostei da proposta que tenho que ter a solução”, respondeu. Ele tinha razão, ou se analisarmos ao contrário, ninguém é obrigado a aceitar o errado se não temos a clareza do que é o certo.

A INDISCIPLINA SAUDÁVEL E O POLITICAMENTE INCORRETO
DISCORDAR DO CHEFE PREJUDICA A CARREIRA?
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Vejamos os casos em que temos a dificuldade de impor um “não”:

NÃO HIERÁRQUICO – discordar do chefe transformou-se numa temeridade. Na velha teoria do manda quem pode, obedece quem tem juízo, são poucos os corajosos a discordar da autoridade. Pobre do líder, cercado desses bajuladores.

NÃO EM MINORIA – frente ao grupo, o “não” em minoria se cala. Ser a voz que desafina no coro dá uma sensação de isolamento que poucos têm coragem de enfrentar.

NÃO ÉTICO – em terras corporativas onde o que vale é levar vantagem em tudo, dizer “não” pode passar a sensação que o inimigo é você e não a atitude criminosa.

NÃO CHATO – quem diz “não” pode ser identificado como o “chato de plantão”. Nem consideram seus argumentos, apenas carimbam o rótulo.

Nesse cenário, nasce a doença do “sim” inconsequente. Aquele que esconde o erro, que procura apenas agradar, sem corrigir, que finge satisfação, que faz sem convicção e reproduz o status quo. A sensação boa de curto prazo cobra o preço no longo prazo. Engolir “sapo” é o caminho mais curto para o consultório médico.

Sofre a empresa, sofre o profissional.

O conflito saudável de ideias é excelente para novos projetos, lançamento de produtos ou a procura de novas oportunidades de mercado. Aprende a utilizar bem o “não”.

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